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Depois de muita
luta e batalhas vencidas, o Grêmio Mineiro completou, no dia 5
de janeiro, 25 anos. Neste período, certamente as alegrias pelas
conquistas, não só esportivas, como também as muitas amizades
formadas, superaram em muito as decepções.
Quem chega hoje à sede do clube, no Mineirinho - a melhor do
Brasil, conforme atesta a maioria dos técnicos dos outros clubes
do Brasil - e gosta de futebol de mesa, certamente fica surpreso
com as instalações. São duas salas, com cerca de 250 metros
quadrados, 16 mesas oficiais em ótimo estado, dois banheiros e
um "bar". O
local tem todas as condições para sediar campeonatos estaduais e
nacionais, sem que seja preciso mexer em nada. Mantendo as mesas
nos seus locais, evita-se que elas sofram qualquer dano, como
empeno etc.
Foi a partir dessa estrutura que os botonistas do Grêmio
alcançaram as maiores glórias no futmesa nacional. O clube é
quatro vezes campeão brasileiro, tem cinco títulos mineiros e
seus sócios ganharam oito títulos brasileiros individuais
(Lorival, quatro; Vander, três; Benjamin, um), marca invejável.
Isto sem considerar cinco títulos de sênior , um de masters ,
uma Copa do Brasil e seis da Taça de Prata (uma espécie de
Segunda Divisão do Brasileiro).
Mas nem sempre foi assim e é bom que os atuais sócios reflitam
sobre isso. Sem dinheiro para pagar aluguel, o Grêmio mais
parecia formado por ciganos. O clube começou funcionando numa
sede improvisada, no bar "Vice-Versa", na rua da Bahia, do Paulo
Roberto e do Benjamin. Dava um trabalho danado. As mesas tinham
de ser montadas e desmontadas após as rodadas, nos sábados à
tarde e nas segundas à noite, e ficavam encostadas nas paredes.
Depois, o Grêmio passou para a casa do Paulo Roberto, que cedeu
um apartamento nos fundos, onde foram colocadas duas mesas. De
lá, foi para uma sala no porão de um dos prédios da Faculdade de
Filosofia, a Fafich, no bairro Santo Antônio, o mesmo da casa do
Paulo. As mesas, então, aumentaram para cinco, mas havia
goteiras no teto - em determinado momento, perdemos uma mesa,
completamente encharcada, depois de lavarem o andar superior.
Perdemos a sala depois da mudança do diretor da Fafich, que
achou "um absurdo" usarmos o local para praticar o futmesa.
Tivemos de voltar à casa do Paulo, que estava em obras. Foi tudo
improvisado, mas o Grêmio resistia, devido à paixão dos seus
associados. A situação melhorou um pouco quando fomos para a
Colônia Portuguesa, um clube social, que funcionava na rua
Curitiba, no Centro. Foram confeccionadas quatro mesas, mas
havia um problema. A diretoria da Colônia limitou o número de
associados, e o Grêmio acabou se dividindo.
Alguns técnicos foram jogar na casa do Pedro Antunes, e, de lá,
fundaram o IX de Junho, no Colégio Polimig, criando uma forte
rivalidade. Infelizmente, o IX de Junho, que tinha uma ótima
sede, com oito mesas, e patrocinou várias competições estaduais
e nacionais, acabou - muitos técnicos voltaram ao Grêmio.
Por um problema com a diretoria da Colônia, o Grêmio foi
obrigado a mudar novamente. Foi então para um galpão da empresa
Roca, onde o Sérgio Burnier trabalhava. O local era enorme, mas
a infra-estrutura era péssima. A avenida em frente, Tereza
Cristina, estava em obras, e muitas vezes os botonistas chegavam
com lama até os joelhos. Pior, não havia luz e, por volta das
cinco horas, era preciso paralisar as rodadas.
O Grêmio Mineiro então, foi se instalar numa pequena sala do
Mineirinho, a 402, onde mal cabiam três mesas e uma mesinha para
a diretoria técnica. Mas continuava vivo, e disputando todas as
competições nacionais, além de ter organizado, em conjunto com o
pessoal do IX de Junho, um Brasileiro, em 1989, no Central
Shopping. Da 402, passamos para uma sala melhor, a 450, onde
cabiam seis mesas. Mas ela pertencia ao Centro de Federações e o
clube corria o risco de ser despejado a qualquer hora, o que de
fato aconteceu. Ficamos então numa espécie de corredor do
Mineirinho, na parte interna, passagem para alguns setores
administrativos. As mesas não tinham proteção e, num determinado
dia, os técnicos chegaram para jogar e as mesas estavam todas
com marcas de copos e gordura. O pessoal do Mineirinho utilizara
as mesas para promover uma festa de aniversário.
Com a mudança da presidência da Administração dos Estádios do
Estado de Minas Gerais (Ademg), que administra o Mineirinho, o
Grêmio finalmente passou para a sala 422, sede da Federação
Mineira de Futebol de Mesa. Eram oito mesas, mas o local ainda
era insuficiente para sediar eventos maiores - os Brasileiros de
1992 e 1997 foram disputados no Shopping Del Rey e no ginásio
anexo do Mineirinho, respectivamente, dando uma trabalheira,
tanto para tirar as mesas, como retorná-las.
Então, surgiu a oportunidade de unirmos a sala 422 com a 424,
que era ocupada pela Federação de Arco e Flecha. O novo espaço
foi inaugurado em 1992, deixando a todos orgulhosos. Para as
obras, alguns sócios chegaram a emprestar dinheiro ao clube, já
que a arrecadação das mensalidades era insuficiente.
Vista geral da atual sede do GRÊMIO MINEIRO
Hoje, o Grêmio Mineiro é o segundo clube mais antigo do Brasil
que joga na regra dos três toques - o primeiro é a ACFB, do Rio
de Janeiro -, e a nova diretoria, presidida por Thiago Palhares,
um dos jovens-botonistas do clube, está trabalhando manter a
regular situação do clube, já registrado em cartório.
O trabalho do Paulo Sérgio, criando a página do Grêmio na
internet, deu um novo impulso ao clube. Além disso, o Eduardo
organiza as tabelas das competições, o que sempre dá muita mão
de obra.
Mas se muita coisa já foi feita, há muito a fazer. Como o
futmesa é "amador", todas as conquistas que dependam de dinheiro
se tornam, algumas vezes, impossíveis. Mas o Grêmio está
chegando lá, embora muitos dos mais de 130 técnicos que passaram
pelo clube, tenham abandonado, pelos mais diversos motivos,
sejam profissionais ou particulares - as perdas mais sentidas
foram a do Célio Braga e do Roney Vaz, mortos em acidentes.
Agora, depende dos seus associados manter a harmonia interna - a
rivalidade deve prevalecer apenas na mesa -, conseguir
patrocínios para as despesas com troféus e viagens, procurar
trazer mais botonistas, dar atenção aos novatos, e tornar cada
vez mais agradável a tarde e o início de noite dos sábados.
Fica aqui o agradecimento a todos os 134 técnicos que fizeram e
fazem essa bela história, durante estes 25 anos.
Vida longa ao Grêmio. |