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    Baú do Grêmio

05/01/2007
 

Por Benjamin Abaliac, presidente de honra

 

GRÊMIO MINEIRO, UMA HISTÓRIA
DE MUITAS LUTAS E VÁRIAS CONQUISTAS

 

Depois de muita luta e batalhas vencidas, o Grêmio Mineiro completou, no dia 5 de janeiro, 25 anos. Neste período, certamente as alegrias pelas conquistas, não só esportivas, como também as muitas amizades formadas, superaram em muito as decepções.

Quem chega hoje à sede do clube, no Mineirinho - a melhor do Brasil, conforme atesta a maioria dos técnicos dos outros clubes do Brasil - e gosta de futebol de mesa, certamente fica surpreso com as instalações. São duas salas, com cerca de 250 metros quadrados, 16 mesas oficiais em ótimo estado, dois banheiros e um "bar". O local tem todas as condições para sediar campeonatos estaduais e nacionais, sem que seja preciso mexer em nada. Mantendo as mesas nos seus locais, evita-se que elas sofram qualquer dano, como empeno etc.

Foi a partir dessa estrutura que os botonistas do Grêmio alcançaram as maiores glórias no futmesa nacional. O clube é quatro vezes campeão brasileiro, tem cinco títulos mineiros e seus sócios ganharam oito títulos brasileiros individuais (Lorival, quatro; Vander, três; Benjamin, um), marca invejável. Isto sem considerar cinco títulos de sênior , um de masters , uma Copa do Brasil e seis da Taça de Prata (uma espécie de Segunda Divisão do Brasileiro).

Mas nem sempre foi assim e é bom que os atuais sócios reflitam sobre isso. Sem dinheiro para pagar aluguel, o Grêmio mais parecia formado por ciganos. O clube começou funcionando numa sede improvisada, no bar "Vice-Versa", na rua da Bahia, do Paulo Roberto e do Benjamin. Dava um trabalho danado. As mesas tinham de ser montadas e desmontadas após as rodadas, nos sábados à tarde e nas segundas à noite, e ficavam encostadas nas paredes.

Depois, o Grêmio passou para a casa do Paulo Roberto, que cedeu um apartamento nos fundos, onde foram colocadas duas mesas. De lá, foi para uma sala no porão de um dos prédios da Faculdade de Filosofia, a Fafich, no bairro Santo Antônio, o mesmo da casa do Paulo. As mesas, então, aumentaram para cinco, mas havia goteiras no teto - em determinado momento, perdemos uma mesa, completamente encharcada, depois de lavarem o andar superior. Perdemos a sala depois da mudança do diretor da Fafich, que achou "um absurdo" usarmos o local para praticar o futmesa.

Tivemos de voltar à casa do Paulo, que estava em obras. Foi tudo improvisado, mas o Grêmio resistia, devido à paixão dos seus associados. A situação melhorou um pouco quando fomos para a Colônia Portuguesa, um clube social, que funcionava na rua Curitiba, no Centro. Foram confeccionadas quatro mesas, mas havia um problema. A diretoria da Colônia limitou o número de associados, e o Grêmio acabou se dividindo.

Alguns técnicos foram jogar na casa do Pedro Antunes, e, de lá, fundaram o IX de Junho, no Colégio Polimig, criando uma forte rivalidade. Infelizmente, o IX de Junho, que tinha uma ótima sede, com oito mesas, e patrocinou várias competições estaduais e nacionais, acabou - muitos técnicos voltaram ao Grêmio.

Por um problema com a diretoria da Colônia, o Grêmio foi obrigado a mudar novamente. Foi então para um galpão da empresa Roca, onde o Sérgio Burnier trabalhava. O local era enorme, mas a infra-estrutura era péssima. A avenida em frente, Tereza Cristina, estava em obras, e muitas vezes os botonistas chegavam com lama até os joelhos. Pior, não havia luz e, por volta das cinco horas, era preciso paralisar as rodadas.

O Grêmio Mineiro então, foi se instalar numa pequena sala do Mineirinho, a 402, onde mal cabiam três mesas e uma mesinha para a diretoria técnica. Mas continuava vivo, e disputando todas as competições nacionais, além de ter organizado, em conjunto com o pessoal do IX de Junho, um Brasileiro, em 1989, no Central Shopping. Da 402, passamos para uma sala melhor, a 450, onde cabiam seis mesas. Mas ela pertencia ao Centro de Federações e o clube corria o risco de ser despejado a qualquer hora, o que de fato aconteceu. Ficamos então numa espécie de corredor do Mineirinho, na parte interna, passagem para alguns setores administrativos. As mesas não tinham proteção e, num determinado dia, os técnicos chegaram para jogar e as mesas estavam todas com marcas de copos e gordura. O pessoal do Mineirinho utilizara as mesas para promover uma festa de aniversário.

Com a mudança da presidência da Administração dos Estádios do Estado de Minas Gerais (Ademg), que administra o Mineirinho, o Grêmio finalmente passou para a sala 422, sede da Federação Mineira de Futebol de Mesa. Eram oito mesas, mas o local ainda era insuficiente para sediar eventos maiores - os Brasileiros de 1992 e 1997 foram disputados no Shopping Del Rey e no ginásio anexo do Mineirinho, respectivamente, dando uma trabalheira, tanto para tirar as mesas, como retorná-las.

Então, surgiu a oportunidade de unirmos a sala 422 com a 424, que era ocupada pela Federação de Arco e Flecha. O novo espaço foi inaugurado em 1992, deixando a todos orgulhosos. Para as obras, alguns sócios chegaram a emprestar dinheiro ao clube, já que a arrecadação das mensalidades era insuficiente.



Vista geral da atual sede do GRÊMIO MINEIRO

Hoje, o Grêmio Mineiro é o segundo clube mais antigo do Brasil que joga na regra dos três toques - o primeiro é a ACFB, do Rio de Janeiro -, e a nova diretoria, presidida por Thiago Palhares, um dos jovens-botonistas do clube, está trabalhando manter a regular situação do clube, já registrado em cartório.

O trabalho do Paulo Sérgio, criando a página do Grêmio na internet, deu um novo impulso ao clube. Além disso, o Eduardo organiza as tabelas das competições, o que sempre dá muita mão de obra.

Mas se muita coisa já foi feita, há muito a fazer. Como o futmesa é "amador", todas as conquistas que dependam de dinheiro se tornam, algumas vezes, impossíveis. Mas o Grêmio está chegando lá, embora muitos dos mais de 130 técnicos que passaram pelo clube, tenham abandonado, pelos mais diversos motivos, sejam profissionais ou particulares - as perdas mais sentidas foram a do Célio Braga e do Roney Vaz, mortos em acidentes.

Agora, depende dos seus associados manter a harmonia interna - a rivalidade deve prevalecer apenas na mesa -, conseguir patrocínios para as despesas com troféus e viagens, procurar trazer mais botonistas, dar atenção aos novatos, e tornar cada vez mais agradável a tarde e o início de noite dos sábados.

Fica aqui o agradecimento a todos os 134 técnicos que fizeram e fazem essa bela história, durante estes 25 anos.

Vida longa ao Grêmio.

 
 

 

 

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