|
"Para muitos, o futebol de mesa, ou
jogo de botão, é apenas uma brincadeira de criança, um
divertimento praticado pela maioria dos garotos que, ao começar
a entender de futebol, transportam para a mesa as emoções dos
estádios. Os ídolos do verdadeiro futebol são escalados nos
diversos times – existe até briga para saber quem fica com o
passe dos melhores. Hoje, o mais cotado entre a garotada é, sem
dúvida, o goleiro Cláudio Taffarel que, num milagre de
onipresença, acaba jogando em vários times ao mesmo tempo, já
que ninguém quer abrir mão de seu talento e de suas defesas.
Mas, depois do dia 29 do mês passado, o futebol de mesa, através
de uma resolução do presidente do Conselho Nacional de
Desportos, Manoel Tubino, foi reconhecido oficialmente como
esporte, depois de uma luta que durou vários anos e envolveu os
esforços de vários dirigentes – João Paulo Mury e Orlando
Campos, do Rio de Janeiro; Roberto Dartanhã, da Bahia; Sérgio
Netto, do Rio Grande do Sul; José Ricardo Caldas, de Brasília;
José Carlos Mattos, do Amazonas; José Henrique Winter e Sérgio
Burnier, de Minas; Della Torre, de São Paulo, e outros
batalhadores do futebol de mesa.
O próprio presidente do CND, o professor Tubino, foi, na
infância, um botonista fanático, disputando campeonatos com o
narrador Luciano do Valle. Outros ídolos como Chico Buarque,
Chico Anysio, Osmar Prado, Falcão, enfim, pessoas de todas as
áreas, confessam-se amantes do nosso futebol de mesa. Sem o
reconhecimento, no entanto, o esporte não conseguia uma maior
divulgação nos meios de comunicação de massa e sofria, a exemplo
dos outros esportes especializados no nosso País, da falta de
verba e de estrutura mais adequada.
Aqui mesmo, em Minas gerais, à exceção do Tupi e do Sport, ambos
de Juiz de Fora, nenhum clube apoiou o futebol de mesa. Os
órgãos públicos como a Secretaria de Esportes, Lazer e Turismo –
SELT, com aquele ranço burocrático peculiar às nossas
repartições públicas, nunca se interessou em dar qualquer tipo
de ajuda ou contribuição.
Mesmo assim, os mineiros, com a força de vontade dos que lutam
por um ideal que acreditam justo, conseguiram em apenas seis
anos, conquistar vários títulos brasileiros. Ganhamos o primeiro
– e único – Campeonato Brasileiro de Seleções, em 1984. Ficamos
também com dois títulos de campeão brasileiro individual – em
1983 e 85 – o de clubes e o brasileiro de sêniores (acima de 38
anos) este ano e outros títulos na categoria júnior (até 18
anos).
Também as nossas tabelas são bem mais organizadas que as da CBF.
Desde o início do ano, quando se reúne a Assembléia Geral da
Confederação – que já funcionava, mesmo sem o reconhecimento
pelo CND – todo o calendário do ano fica devidamente estipulado.
A CBF, com ajuda de computadores, consegue marcar cinco jogos
seguidos do Palmeiras para São Paulo – teve que inverter o mando
do jogo de domingo, contra o Grêmio – ou então fazer quatro
partidas de times cariocas no mesmo domingo, no Rio de Janeiro.
É dose pra leão.
Como os campeonatos brasileiros e estaduais de futebol de mesa
têm que ser realizados em um único final de semana, o critério é
de se formar grupos eliminatórios até se apurar o campeão. Já
nos torneios dos clubes, jogados durante todo o ano, é adotado o
critério universal: quem marca pontos é o campeão – isso a CBF
precisa copiar urgentemente, para evitar injustiças como a de
1977, por exemplo, quando o Atlético perdeu o Campeonato
Brasileiro para o São Paulo nos pênaltis, depois de conseguir
dez pontos a mais que o adversário (e olhem que eu não sou
atleticano; torço para o Fluminense).
O que não conseguimos, ainda, como acontece no futebol
brasileiro, foi atrair grandes públicos para os nossos jogos. Se
a CBF utilizar alguns dos nossos critérios, tenho certeza de que
os torcedores voltarão aos estádios. Quanto a nós, do futebol de
mesa, o que queremos mesmo é atrair novos praticantes – que
formarão, também, a nossa própria torcida." |