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    Entrevista

05/02/2009

 

Thiago Palhares, técnico do Cantagalo

 

Como iniciou no futebol de mesa?

Meu nome é Thiago Fernandes Palhares, nasci no dia 27 de Novembro de 1979, em Belo Horizonte.

Meu inicio na regra aconteceu em Maio de 1994, no Grêmio Mineiro. Não lembro muito bem como tudo começou, mas sei que minha mãe foi a grande responsável por eu ter chegado ao Grêmio.

Naquela época, organizava torneios de leva-leva na minha casa, com mais de 30 times. Mas havia um “pequeno” detalhe: eu jogava sozinho! Isso mesmo. Eu fazia o torneio com tabela e tudo mais e jogava contra eu mesmo. Para melhorar, além de jogar sozinho, eu narrava todos jogos. Era muita emoção, podem acreditar! Ai, um dia minha mãe foi comprar alguma coisa na mercearia “Seu Felipe” (pai do Vander) e como ela conversa pouco, surgiu esse assunto com a mãe do Vander, Dona Thaiza – Tá vendo como a Dona Andrea, minha mãe, conversa pouco, né? Falar de futebol de botão é demais! Fato foi que a Dona Thaiza comentou que o filho dela jogava botão lá no Mineirinho, todos os sábados, na parte da tarde. Provavelmente, depois de eu ter amolado muito e por conhecer bem a família do Vander, minha mãe acabou deixando que ele me levasse ao Mineirinho. Se não me engano, demorou um pouco pois no início nem altura direito eu tinha para jogar. Ainda me lembro da caminhada lá de casa até a Bernardo Vasconscellos para pegar o ônibus que nos levaria ao Mineirinho. Chegando lá, é claro, fiquei louco! Nunca imaginei que aquilo pudesse existir. Ai não teve jeito.

 

Nós botonistas Gremistas nos lembramos do Thiaguinho menino iniciante. A partir de qual momento você acha que surgiu o Thiago botonista reconhecido nacionalmente?

 Bom, acho que reconhecido nacionalmente eu fiquei de tanto viajar… Hahahahaha. A verdade é que acredito que ficar conhecido na nossa regra realmente acontece quando você viaja muito e dá algum trabalho aos adversários de ponta. No meu caso, acho que tudo aconteceu de uma maneira natural, pois eu viajava sempre e tinha prazer em estender os relacionamentos criados nas mesas para o lado social.

 

Qual foi sua primeira conquista e qual a mais importante?

Individualmente, minha primeira conquista na mesa foi um torneio comemorativo entre botonistas iniciantes do Grêmio. Eu ainda entrei de gaiato, pois não era tão iniciante mais (peguei vaquinha). Venci uma taça de prata do brasileiro que, oficialmente, foi meu primeiro título, lá em São José do Rio Preto. Fora isso, três torneios da segundona do Grêmio e apenas um da elite! Esse foi, com certeza o mais difícil e considero o mais importante, por ter sido campeão enfrentando forças como Lorival e Vander.

Por equips, meus resultados foram melhores a partir de 2003, tendo vencido três mineiros e um brasileiro. Mas, por tudo que o clube representa para mim, o torneio mais importante que conquistei foi o de 25 anos de fundacão do Grêmio. Vencer o brasileiro foi excelente, mas acredito que, na época, não tinha noção da importância daquela conquista. No torneio de aniversário do Grêmio eu já sabia distinguir o que representava uma conquista gremista, e, por isso, me entreguei como nunca havia feito. Valeu cada gota de suor.

 

Você hoje, infelizmente, é um botonista Gremista ausente. Como é estar distante e não poder disputar as competições?

 Sinto muita falta de jogar. Muita falta mesmo. Mas nada que se compare a andar pelos corredores do Mineirinho, sentir o cheiro do poliflor, abrir a porta da sala 422 e ver meus amigos. Isso é o que mais faz falta e dói aqui no peito. Não poder pegar o carro do Lorival e ir até São José do Rio Preto e na volta ouvir o Heavy cantando sertanejo. Não poder participar da guerra de desodorante com o Paulo Sérgio no Cesporte. Colocar catchup no tênis do Marcelo Guerreiros. Ameaçar cortar a barba do Benjamin. Ver o Josué afundar o quibe no caldo de mandioca no bar do Alavanca. Ver as caretas e escutar os comentários do Vander enquanto joga ou apita. Participar da roda de bate papo com Paulo Marcos, Sibelius, Marcus e Bruno. Tomar falta técnica do Pires porque o Vander veio sapear meu jogo. Rezar para nao cair no confronto contra o Stumpf. Ver o Léo Olimpia destruindo a bicileta do sobrinho do Lorival durante a rodada de sábado. Tentar ouvir o grito de gol do Burnier…

 

Você acha que o nosso esporte pode ser difundido além das fronteiras do nosso Brasil? Por exemplo, aí nos Estados Unidos?

 Acho possível, mas não aqui. Talvez até seja possível, mas se no Brasil, que é o pais do futebol, é uma luta enorme conseguir que o pessoal se dedique, imagine aqui que nem de futebol o pessoal gosta?

 

Sabemos que você teve grandes professores no futebol de mesa e que um de seus ídolos no esporte é o seu xará Thiago Sthepan, de Juiz de Fora. Fugindo da rotina das perguntas já formuladas sempre, quem foram os botonistas mais engraçados que já viu jogar?

 Jogando, o mais engraçado e, sem sombra de dúvidas, é o Rodrigo Tubarugaio.

 

Para o resto do Brasil saber, qual é o nome do seu time e o porquê do nome?

 O nome do meu time é Cantagalo. Queria algo ligado ao meu time do coração, o Clube Atlético Mineiro, e o nome que melhor representou esta paixão foi este. Por ironia do destino, logo no início, um dos maiores clássicos que eu jogava era contra o Paulinho, técnico do La Rezenha – cruzeirense roxo – que morava na esquina da Rua Cantagalo.

 

Ao longo dos anos, qual a partida inesquecivel, aquela que poderia dizer que foi perfeita?

 Essa não tem como errar. Foi no Brasileiro Individual, quando encarei o Miguel e venci por inacreditaveis 8 x 0.

 

E a pior delas, você se lembra?

 Putz… aí a lista vai ser longa. No início da carreira, tomei um 11 x 0 pro Vander que, pelo próprio placar, ja indica o nível do meu jogo.

 

No futebol de mesa sempre acontecem coisas inesperadas. Descreva um caso pitoresco envolvendo o nosso esporte.

 Já começo a rir só de lembrar. Estávamos em Brasília ou Rio Preto e o Paulo Sérgio pegou meu boné e saiu correndo. Não pensei duas vezes e parti atrás dele. Estava em forma e consegui me aproximar. Ele parou, me olhou e eu perdi o freio. Fomos pro chão embolados e rindo. O problema foi que deslizamos e derrubamos o cavalete de uma mesa onde o Pires limpava seu time. Foi ai que não conseguíamos mais parar de rir! O Pires sem entender nada, segurando a mesa com uma mão e a outra “acudindo” os botões que quase iam para o chão.

 

Falando em futebol de mesa, quais os seus planos para o futuro?

 É complicado fazer planos, sendo que estamos sujeitos a mudanças inesperadas de rota. Morei em Belo Horizonte a vida toda e de uma hora para outra fui para o Pará, e, depois, para os Estados Unidos. De qualquer forma, penso em retornar para BH dentro de uns 3 anos e voltar a jogar.

 

Hoje você está casado e pensa em ter filhos. Você gostaria que eles praticassem o futebol de mesa?

 Sem sombra de dúvida. Os ganhos são enormes, principalmente do lado pessoal.

 

No futebol de mesa, qual o sonho que ainda não realizou e gostaria de realizar?

 Claro que gostaria de ganhar todos os torneios possíveis, mas meu grande sonho está bem distante hoje. Desde quando comecei a jogar, a equipe principal do Grêmio teve várias formações diferentes, mas, em geral, era formada por Benjamin, Gustavo, Lorival, Paulo Sérgio e Vander. Todos os anos sonhava em fazer parte desse time. Era emocionante vê-los jogar. A amizade, o entrosamento e a dedicação de um com o outro me fascinavam.

 

Sabemos que você comprou vários times confeccionados pelo Márcio, de Juiz de Fora. Você acha que o time realmente faz a diferença?

 Acredito que o time ajuda, e muito. O que faz a diferença é treino, dedicação e disciplina. Ainda tenho esperanças de jogar com um time feito para mim. Claro que fabricado pelo mestre.

 

Quais os melhores botonistas que você viu jogar?

Vander, Lorival, Thiago, Bruno, Renato e Stumpf

 

Você apontaria alguma falha em nossa regra?

 Nossa regra tem, digamos, algumas lacunas que precisam e devem ser preenchidas. Quase sempre os mesmos problemas surgem durante os torneios externos, mas nós nunca fazemos as anotações para que a comissão de regra torne a regra mais completa e menos subjetiva. Isso sem contar que a grande falha esta na maioria dos botonistas, inclusive eu, que não conhecem realmente a regra.

 

Se tivesse o poder de mudar a regra o que mudaria?

 Tem como aumentar o tempo de jogo e diminuir o tempo de arbitragem? Isto seria ótimo! Na verdade, já pensei em algumas coisas que gostaria que fossem diferentes, como determinar o número máximo de jogadas na defesa ou no ataque, para que o jogo ficasse mais bonito e com mais gols. Mas, no fim, acabo concluindo que se mexer, vai é estragar. A regra já e ótima!

 

Que ensinamentos o futebol de mesa deixou para a sua vida?

 Foram muitos. A necessidade de se ter uma liderança, de cooperar com a organização, decidir por democracia sempre que possível. Aprendi a relevar algumas coisas em benefício do grupo. Acima de tudo, aprendi a importância de uma amizade e de se fazer parte de um grupo, um time, uma equipe! Aprendi que apesar das diferenças pessoais, de cultura, religião, raça, todos têm seu valor e algo a contribuir dentro do movimento. E isso que é bonito e torna nosso esporte tão bacana! Quando estamos juntos, apesar dos pesares, todos nos tornamos iguais.

 

Qual o momento mais triste na carreira?

Não sei se foi o momento mais triste, mas, com certeza, foi o que mais doeu: As saídas do Lorival e do Paulo Sérgio do Grêmio.

 

Deixe suas considerações finais aos amigos botonistas do Brasil.

Só gostaria mesmo de agradecer o apoio de todos ao longo desses anos. Não tenho dúvidas que tudo que vi, vivi e venci jogando botão, contribuiu muito para a formação do meu caráter. Não podemos nos esquecer que, apesar da seriedade, botão é um lazer e temos que nos divertir quando nos reunimos para jogar. Não pode ser aquela coisa de obrigação, querendo chegar, jogar muito, apitar pouco e ir embora o mais cedo possível. Acho que muitas confusões, brigas e separações do movimento acontecem por muitas vezes não valorizarmos mais o momento de confraternização que o movimento nos proporciona.

 

 

 

 

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