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Como iniciou no futebol
de mesa?
Meu nome é Thiago
Fernandes Palhares, nasci no dia 27 de Novembro de 1979, em Belo
Horizonte.
Meu inicio na regra
aconteceu em Maio de 1994, no Grêmio Mineiro.
Não lembro
muito bem como tudo começou, mas sei que minha mãe foi a grande
responsável por eu ter chegado ao Grêmio.
Naquela época,
organizava torneios de leva-leva na minha casa, com mais de 30
times.
Mas havia
um “pequeno” detalhe: eu jogava sozinho! Isso mesmo. Eu fazia o
torneio com tabela e tudo mais e jogava contra eu mesmo. Para
melhorar, além de jogar sozinho, eu narrava todos jogos. Era
muita emoção, podem acreditar!
Ai, um dia minha mãe foi
comprar alguma coisa na mercearia “Seu Felipe” (pai do Vander) e
como ela conversa pouco, surgiu esse assunto com a mãe do
Vander, Dona Thaiza – Tá vendo como a Dona Andrea, minha mãe,
conversa pouco, né? Falar de futebol de botão é demais! Fato foi
que a Dona Thaiza comentou que o filho dela jogava botão lá no
Mineirinho, todos os sábados, na parte da tarde. Provavelmente,
depois de eu ter amolado muito e por conhecer bem a família do
Vander, minha mãe acabou deixando que ele me levasse ao
Mineirinho. Se não me engano, demorou um pouco pois no início
nem altura direito eu tinha para jogar. Ainda me lembro da
caminhada lá de casa até a Bernardo Vasconscellos para pegar o
ônibus que nos levaria ao Mineirinho. Chegando lá, é claro,
fiquei louco! Nunca imaginei que aquilo pudesse existir. Ai
não teve jeito.
Nós
botonistas Gremistas nos lembramos do Thiaguinho menino
iniciante. A partir de qual momento você acha que surgiu o
Thiago botonista reconhecido nacionalmente?
Bom, acho
que reconhecido nacionalmente eu fiquei de tanto viajar…
Hahahahaha. A
verdade é que acredito que ficar conhecido na nossa regra
realmente acontece quando você viaja muito e dá algum trabalho
aos adversários de ponta. No meu caso, acho que tudo aconteceu
de uma maneira natural, pois eu viajava sempre e tinha prazer em
estender os relacionamentos criados nas mesas para o lado
social.
Qual foi
sua primeira conquista e qual a mais importante?
Individualmente, minha primeira conquista na mesa foi um torneio
comemorativo entre botonistas iniciantes do Grêmio.
Eu ainda entrei de
gaiato, pois não era tão iniciante mais (peguei vaquinha). Venci
uma taça de prata do brasileiro que, oficialmente, foi meu
primeiro título, lá em São José do Rio Preto.
Fora isso,
três torneios da segundona do
Grêmio
e
apenas um da elite!
Esse foi, com certeza o
mais difícil e considero o mais importante, por ter sido campeão
enfrentando forças como Lorival e Vander.
Por equips,
meus resultados foram melhores a partir de 2003, tendo vencido
três mineiros e um brasileiro.
Mas, por tudo que o
clube representa para mim, o torneio mais importante que
conquistei foi o de 25 anos de fundacão do
Grêmio.
Vencer o brasileiro foi excelente, mas acredito que, na época,
não tinha noção da importância daquela conquista. No torneio de
aniversário do
Grêmio
eu já sabia distinguir o que representava uma conquista
gremista, e, por isso, me entreguei como nunca havia feito.
Valeu
cada gota de suor.
Você hoje, infelizmente,
é um botonista Gremista ausente.
Como é
estar distante e não poder disputar as competições?
Sinto
muita falta de jogar. Muita falta mesmo. Mas nada que se compare
a andar pelos corredores do Mineirinho, sentir o cheiro do
poliflor, abrir a porta da sala 422 e ver meus amigos. Isso é o
que mais faz falta e dói aqui no peito. Não poder pegar o carro
do Lorival e ir até São José do Rio Preto e na volta ouvir o
Heavy cantando sertanejo. Não poder participar da guerra de
desodorante com o Paulo Sérgio no Cesporte. Colocar catchup no
tênis do Marcelo Guerreiros. Ameaçar cortar a barba do Benjamin.
Ver o Josué afundar o quibe no caldo de mandioca no bar do
Alavanca. Ver as caretas e escutar os comentários do Vander
enquanto joga ou apita. Participar da roda de bate papo com
Paulo Marcos, Sibelius, Marcus e Bruno. Tomar falta técnica do
Pires porque o Vander veio sapear meu jogo. Rezar para nao cair
no confronto contra o Stumpf. Ver o Léo Olimpia destruindo a
bicileta do sobrinho do Lorival durante a rodada de sábado.
Tentar ouvir o grito de gol do Burnier…
Você acha
que o nosso esporte pode ser difundido além das fronteiras do
nosso Brasil? Por exemplo, aí nos Estados Unidos?
Acho
possível, mas não aqui. Talvez até seja possível, mas se no
Brasil, que é o pais do futebol, é uma luta enorme conseguir que
o pessoal se dedique, imagine aqui que nem de futebol o pessoal
gosta?
Sabemos que você teve
grandes professores no futebol de mesa e que um de seus ídolos
no esporte é o seu xará Thiago Sthepan, de Juiz de Fora. Fugindo
da rotina das perguntas já formuladas sempre, quem foram os
botonistas mais engraçados que já viu jogar?
Jogando,
o mais engraçado e, sem sombra de dúvidas, é o Rodrigo
Tubarugaio.
Para o
resto do Brasil saber, qual é o nome do seu time e o porquê do
nome?
O nome do
meu time é Cantagalo.
Queria algo ligado ao
meu time do coração, o Clube Atlético Mineiro, e o nome que
melhor representou esta paixão foi este.
Por ironia
do destino, logo no início, um dos maiores clássicos que eu
jogava era contra o Paulinho, técnico do La Rezenha –
cruzeirense roxo – que morava na esquina da Rua Cantagalo.
Ao longo
dos anos, qual a partida inesquecivel, aquela que poderia dizer
que foi perfeita?
Essa não
tem como errar. Foi no Brasileiro Individual, quando encarei o
Miguel e venci por inacreditaveis 8 x 0.
E a pior
delas, você
se
lembra?
Putz… aí a
lista vai ser longa. No início da carreira, tomei um 11 x 0 pro
Vander que, pelo próprio placar, ja indica o nível do meu jogo.
No futebol
de mesa sempre acontecem coisas inesperadas. Descreva um caso
pitoresco envolvendo o nosso esporte.
Já
começo a rir só de lembrar. Estávamos em Brasília ou Rio Preto e
o Paulo Sérgio pegou meu boné e saiu correndo. Não pensei duas
vezes e parti atrás dele. Estava em forma e consegui me
aproximar. Ele parou, me olhou e eu perdi o freio. Fomos pro
chão embolados e rindo. O problema foi que deslizamos e
derrubamos o cavalete de uma mesa onde o Pires limpava seu time.
Foi ai que não conseguíamos mais parar de rir! O Pires sem
entender nada, segurando a mesa com uma mão e a outra “acudindo”
os botões que quase iam para o chão.
Falando em
futebol de mesa, quais os seus planos para o futuro?
É
complicado fazer planos, sendo que estamos sujeitos a mudanças
inesperadas de rota. Morei em Belo Horizonte a vida toda e de
uma hora para outra fui para o Pará, e, depois, para os Estados
Unidos.
De qualquer
forma, penso em retornar para BH dentro de uns 3 anos e voltar a
jogar.
Hoje
você
está casado e pensa em ter filhos. Você gostaria que eles
praticassem o futebol de mesa?
Sem sombra
de dúvida. Os
ganhos são enormes, principalmente do lado pessoal.
No futebol
de mesa, qual o sonho que ainda não realizou e gostaria de
realizar?
Claro
que gostaria de ganhar todos os torneios possíveis, mas meu
grande sonho está bem distante hoje. Desde quando comecei a
jogar, a equipe principal do Grêmio teve várias formações
diferentes, mas, em geral, era formada por Benjamin, Gustavo,
Lorival, Paulo Sérgio e Vander. Todos os anos sonhava em fazer
parte desse time. Era emocionante vê-los jogar. A amizade, o
entrosamento e a dedicação de um com o outro me fascinavam.
Sabemos que
você comprou vários times confeccionados pelo Márcio, de Juiz de
Fora. Você acha que o time realmente faz a diferença?
Acredito
que o time ajuda, e muito.
O que faz a diferença é
treino, dedicação e disciplina.
Ainda tenho
esperanças de jogar com um time feito para mim. Claro que
fabricado pelo mestre.
Quais os melhores botonistas que você viu jogar?
Vander, Lorival, Thiago, Bruno, Renato e Stumpf
Você apontaria alguma falha em nossa regra?
Nossa regra tem, digamos, algumas lacunas que precisam e devem
ser preenchidas. Quase sempre os mesmos problemas surgem durante
os torneios externos, mas nós nunca fazemos as anotações para
que a comissão de regra torne a regra mais completa e menos
subjetiva. Isso sem contar que a grande falha esta na maioria
dos botonistas, inclusive eu, que não conhecem realmente a
regra.
Se tivesse o poder de mudar a regra o que mudaria?
Tem como aumentar o tempo de jogo e diminuir o tempo de
arbitragem? Isto seria ótimo! Na verdade, já pensei em algumas
coisas que gostaria que fossem diferentes, como determinar o
número máximo de jogadas na defesa ou no ataque, para que o jogo
ficasse mais bonito e com mais gols. Mas, no fim, acabo
concluindo que se mexer, vai é estragar. A regra já e ótima!
Que ensinamentos o futebol de mesa deixou para a sua vida?
Foram muitos. A necessidade de se ter uma liderança, de
cooperar com a organização, decidir por democracia sempre que
possível. Aprendi a relevar algumas coisas em benefício do
grupo. Acima de tudo, aprendi a importância de uma amizade e de
se fazer parte de um grupo, um time, uma equipe! Aprendi que
apesar das diferenças pessoais, de cultura, religião, raça,
todos têm seu valor e algo a contribuir dentro do movimento. E
isso que é bonito e torna nosso esporte tão bacana! Quando
estamos juntos, apesar dos pesares, todos nos tornamos iguais.
Qual o momento mais triste na carreira?
Não sei se foi o momento mais triste, mas, com certeza, foi o
que mais doeu: As saídas do Lorival e do Paulo Sérgio do Grêmio.
Deixe suas considerações
finais aos amigos botonistas do Brasil.
Só gostaria mesmo de
agradecer o apoio de todos ao longo desses anos. Não tenho
dúvidas que tudo que vi, vivi e venci jogando botão, contribuiu
muito para a formação do meu caráter. Não podemos nos esquecer
que, apesar da seriedade, botão é um lazer e temos que nos
divertir quando nos reunimos para jogar. Não pode ser aquela
coisa de obrigação, querendo chegar, jogar muito, apitar pouco e
ir embora o mais cedo possível. Acho que muitas confusões,
brigas e separações do movimento acontecem por muitas vezes não
valorizarmos mais o momento de confraternização que o movimento
nos proporciona.
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